Quem deposita nos consórcios a única esperança de acertar o nariz, tirar a gordura extra ou esticar a pele
encontra nos empresários do setor os grandes defensores da ideia. Eles garantem que a alternativa não trará
riscos aos pacientes.
O presidente regional da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Marco Aurélio Müller,
acredita que os consórcios vão democratizar o acesso às cirurgias plásticas nos mesmos moldes que ajudaram
muita gente a ter o primeiro carro ou a primeira casa e rebate as críticas dos especialistas receosos com a nova
forma de pagamento. Ele assegura que as administradoras não vão limitar as alternativas de médicos para os
clientes. Segundo ele, o dinheiro poderá ser usado para realizar a operação em qualquer profissional.
- Pode ser até no Pitanguy (Ivo Pitanguy) se a pessoa quiser. Na verdade, ela vai escolher a quantia que
precisa, vai entrar no consórcio que mais lhe agrada e, quando for contemplada, vai pegar o dinheiro e ir onde
achar melhor - defende.
Para evitar que a inclusão das cirurgias plásticas nos consórcios comprometa a saúde dos brasileiros, a
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) protocolou, em fevereiro, um pedido ao Banco Central (BC)
para que sejam feitas garantias e exigências para que as administradoras não limitem o número de profissionais,
mas deixem o cliente livre para escolher o médico de sua preferência. O debate, porém, não deve impedir a
organização dos consórcios que, apesar de autorizados, devem começar a oferecer a opção a partir do mês que
vem, em Porto Alegre.
- Há algumas décadas, quando começaram os planos de saúde, as discussões e controvérsias foram as
mesmas. Hoje, a maioria das pessoas tem o seu convênio e se consulta com os médicos de sua escolha -
lembra o cirurgião plástico Carlos Uebel.
Enquanto a opção dos consórcios não é lançada, o cirurgião plástico André Hermann, do Hospital Moinhos de
Vento, sugere que pessoas sem condições econômicas para custear uma operação estética à vista busquem
financiamento no banco ou reserve parte do salário mensalmente. A segunda sugestão foi adotada pela
contadora Fernanda Prüfer, 25 anos. Em 2007, ela resolveu fazer uma cirurgia estética para melhorar a
autoestima. Como não poderia fazer o procedimento por meio de convênio médico, reservou um pequena parte
do seu salário durante seis meses.
- Era algo que queria muito. Não deixaria a questão financeira me atrapalhar. Então, me planejei, fiz a cirurgia e
agora estou feliz com o resultado - comemora. |