26% dos imóveis vendidos na Bahia são por meio de consórcios

Data da postagem: 26/08/2019


A cada 100 imóveis vendidos na Bahia, 26 são adquiridos por meio de carta de crédito de consórcios imobiliários. Os números, da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio – ABAC (dezembro de 2018), mostram que o estado está acima da média do Brasil, com 24,1% dos imóveis vendidos por meio desta modalidade, e do Nordeste, com 18,8%.

Ou seja, na Bahia, cada vez mais pessoas optam por realizar o desejo da casa própria, ou do segundo imóvel, por meio do consórcio – ainda que o ‘sonho’ demore às vezes até 180 meses para ser realizado. Afinal, consórcio depende de sorteio ou de bala na agulha financeira para dar um lance generoso e sair na frente.

O consórcio é uma modalidade de negócio criada há 25 anos no Brasil e hoje já é bastante popular no país, principalmente para aquisição de veículos. Mas na modalidade imobiliária tem crescido.

De acordo com a Abac, o sistema de consórcios encerrou o primeiro semestre deste ano com aumento de 14,75% nas vendas de novas cotas, comparado ao mesmo período ano passado. Um negócio que atingiu o patamar de R$ 61 bilhões de janeiro a junho de 2019.

Ainda não há dados comparativos por estado, mas a previsão é a de manter-se ascendente, diz Rodrigo Freire, presidente regional da Abac para o Nordeste.

“No Nordeste, a Bahia é onde mais cresce o número de consorciados. As maiores administradoras estão aí. Eu credito este crescimento à maior informação da população sobre consórcios e às vantagens: não paga juros, é mais em conta do que um financiamento tradicional e um instrumento de programação financeira”, diz Freire.

Em um exemplo prático, um imóvel de R$ 100 mil, em um financiamento tradicional, a depender do número de meses acordado, pode chegar a custar de R$ 200 mil a R$ 250 mil no final. Em um consórcio, o custo total desce para R$ 125 mil a R$ 150 mil, segundo cálculos feitos pela Abac.

Menor custo

O economista e MBA em finanças Lucas Spínola avalia que entre os pontos positivos de um consórcio, de fato, está o menor custo em relação ao financiamento tradicional. No lugar dos juros cobrados em financiamento tradicional, paga-se uma taxa de cobertura prevendo possíveis casos de inadimplência.

“No consórcio você paga para alguém administrar a poupança que precisa formar para realizar uma aquisição. A pessoa inicia uma poupança pensando em usá-la num momento posterior, não se faz necessário ter grandes reservas”.

Para o economista, o incremento da venda de consórcios também pode ser explicado pela histórica baixa renda da maioria da população brasileira, que dificulta a formação de poupança para investimentos de maior valor, e se amplia em momento de crise econômica como agora.

“Muita gente perdeu o emprego, e foi reduzido o nível de renda familiar. Assim, as pessoas que antes podiam comprar de uma outra forma agora requerem uma alternativa para geração de poupança. E o consórcio surge como uma dessas alternativas”.

Público do segmento

O perfil de consórcios na Bahia também dá a ideia de quem é o maior público do segmento. De acordo com dados do Banco Central do Brasil – órgão regulador do sistema de consórcios –, em junho deste ano o total de cotas ativas na Bahia era de 28.098, número expressivo comparado ao de todos os estados do Nordeste, cuja soma chega a 76.877.

O valor médio do bem imóvel no estado neste sistema é de R$ 153.456 – pouco acima da média da região, cujo imóvel fica na faixa dos R$ 151.382. E o prazo médio dos consórcios na Bahia é de 175 meses, “tempo muitas vezes maior do que um casamento”, observa Rodrigo Freire.

O economista Lucas Spínola também chama a atenção para o ponto negativo do consórcio: o fator tempo. Não é aconselhável entrar em um consórcio se a pessoa precisa do bem de imediato e não tem uma quantia em dinheiro para dar de lance e antecipar a aquisição.

“O consórcio acaba se transformando em uma maneira de forçar a poupança. A obrigação do pagamento da prestação do consórcio permite a criação de uma reserva financeira. O consórcio é mais indicado para quem não tem nenhuma reserva financeira”, diz Spínola.

A equação tempo x dinheiro mensal a ser despendido deve ser considerada para quem mora de aluguel, por exemplo, e quer entrar no em um consórcio. Afinal, serão dois dispêndios financeiros no mês, alerta a Abac.

E não é pouca gente nesta condição na Bahia. De acordo com dados do IBGE, até o final do ano passado, 13,3% dos domicílios na Bahia eram alugados (668 mil residências), de um total de 5,022 milhões. Nessas casas alugadas vivia 1,9 milhão de pessoas (12,9% da população). Em Salvador o dado é ainda maior: 20,5% das residências da capital eram alugadas. Cerca de 565 mil pessoas viviam nestas casas, ou seja, 19,8% da população da capital.

Os números mostram que o terreno é fértil para o negócio de consórcios imobiliários, embora o valor médio dos imóveis apontados pelo Banco Central não seja tão alto na Bahia.

Prós e contras dos consórcios  imobiliários

Vantagens 

Custo

Mais baixo em relação ao financiamento tradicional. Não incidem juros na operação e, na soma final, paga-se bem menos para aquisição do bem

Liberdade

A carta de crédito pode ser usada para aquisição de imóvel residencial, comercial, reformas, construções e até terrenos

FGTS

É possível usar o Fundo de Garantia como entrada no consórcio – que funciona como lance

Poupança

Consórcio imobiliário acaba sendo uma forma de poupança programada. Paga-se uma parcela e pequenas taxas mensais – essas, para cobrir supostas inadimplências

Desvantagens  

Tempo

Para acessar a carta de crédito é necessário ser sorteado ou realizar a oferta de um lance. Caso contrário, não é possível ter acesso ao bem imediatamente 

Perfil

Não é indicado para pessoas que não podem suportar um dispêndio a mais, comprometendo sua renda mensal ordinária

Fonte: ABAC e Lucas Spínola.
Link: https://www.atarde.uol.com.br/imoveis/noticias/2086308-26-dos-imoveis-vendidos-na-bahia-sao-por-meio-de-consorcios